Análise do Texto:
A Cultura Interfere no Plano Biológico
Cultura, Um Conceito Antropológico, Roque de Barros Laraia, Parte 2, Capítulo 2
Por
Gabriela Moura
Camila da Costa Quintal
Gabriella Constantino Alecrim da Silva
Aline Maciel
(alunas regularmente matriculadas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, no curso de Pedagogia, 2010. 2, turma 3)
O que é apatia? O conceito de ‘apatia’ será abordado no desenvolver do texto, baseado no segundo capítulo da parte dois do livro Cultura, Um Conceito Antropológico, de Roque Barros Laraia. No dicionário Aurélio, temos a seguinte descição:
Significado de Apatia
s.f. Indiferença, insensibilidade. / Indolência, marasmo, inércia.
Dicionário Aurélio Online
No período da Escravidão no Brasil, temos diversos registros trágicos. Os escravos, tirados a ferro e força de suas terras, eram trazidos para o Brasil para trabalho braçal, humilhante e excessivamente bruto, na sua maioria. O fenótipo, isto é, características observáveis, nesse caso cor de pele, cabelos e olhos, estranho aos negros também foi um fator influenciador para uma espécie de susto que tomaram ao entrar em contato com esse novo mundo. Vista no texto como o contrário do etnocentrismo - visão que centraliza a sua cultura, ao observar a de outrém - a apatia, ao invés de superestimar seus valores, são o abandono de suas crenças e valores culturais, o que caracterizam os comportamentos resultantes desse sentimento como anômicos. Etimologicamente falando, a palavra anomia é dividida em ‘a’ (ausência, falta, negação) + ‘nomus’ (normas, leis regras), o que significa o absoluto descaso com as regras e normas de determinada sociedade. Émile Durkhein classificava anomia como um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocados pelas transformações do mundo moderno. Já Robert King Merton utiliza a anomia como explicação para a maior ocorrência de infrações penais em classes menos favorecidas e comportamentos como o alcoolismo e tóxico-dependência. Dentro desse contexto, também podemos ressaltar outros problemas atuais como a dificuldade governamental no controle de natalidade e taxas de abandono dos estudos. O comportamento anômico se fez presente no cotidiano desses escravos, o que trouxe à realidade daqueles homens o denominado Banzo, vista nesse contexto como doença caracterizada por uma espécie de saudade do local de origem, o que fazia com que os homens perdessem o apetite, deixassem de falar e se alimentar e, consequentemente, falecerem. Uma morte que se assemelha ao suicídio, mas de forma gradual e diretamente ligada à apatia.
Os índios Ka’apór têm a crença de que, ao enxergar o espírito de uma pessoa morta, morrerão. Eles denominam esses espíritos de Añang, termo normalmete traduzido como ‘diabo’, o que demonstra o tamanho do perigo que representa nessa cultura.
Darcy Ribeiro e Hans Forthman realizavam um filme em que o protagonista conta ter visto a alma de seu falecido pai e que iria morrer pelo ocorrido. O índio, ainda jovem, deitou em uma rede e dois dias depois veio a falecer. No texto, cita-se também a curiosa história de uma mulher indígena Ka’apór que, acreditando no poder dos brancos, abordou os pesquisadores do livro clamando por socorro. Ela havia visto um añang e pedia um añang-puhan, ‘remédio contra o diabo’. Diante da situação de desespero, os pesquisadores deram à índia um comprimido de vitaminas que foi considerado eficaz. Existe também o famoso mito do condenado à morte, que foi desafiado a participar de um teste. Cortariam seu pulso e o deixariam sangrando até que coagulasse ou morresse. Se coagulasse, o condenado seria absolvido da pena. Vendaram-no e fizeram um corte superficial em seu pulso, ao lado, ligaram uma torneira que goteava, goteava e o homem acreditava que era seu sange. Gradualmente, os cientistas ou supervisores iam fechando a torneira, até que se fechasse por inteiro. O condenado teve um ataque cardíaco e morreu.
As três passagens supracitadas nos trazem um questionamento: Até que ponto a crença é determinante para a saúde física de um indivíduo? Até que ponto a cultura influencia no âmbito biológico? O médico 
(Carl Simonton, imagem da web)
Oncologista Carl Simonton desenvolve um trabalho com pacientes que sofrem com o câncer que consiste em uma série de relaxamentos e mentalizações relacionadas ao corpo livre de doenças, visualizando-se completamente curados. O próprio destaca: “A atitude psicológica básica de um ser humano determina sua capacidade de resistir às doenças”.
A crença em grandes líderes religiosos também traz benefícios ou malefícios diretos à saúde. Casos de pedras no rins, dores abdominais, cânceres e outras doenças curadas através de cirurgia espiritual trazem mais um segmento de ‘alternativas’ à medicina científica na nossa sociedade urbana. Assim como os xamãs e pajés tribais, que, envoltos por rituais fortes de cura, fazem com que seus doentes passem a sentir absolutamente nada do que sentiam antes. No texto, também são citados os magos africanos. A etnografia africana é rica no que se refere às mortes ocasionadas por feitiçaria. Mais um ponto de reflexão sobre Cultura x Biologia, ou até mesmo Cutura + Biologia.
Os Kaingang passaram o século vinte quase que por inteiro resistindo bravamente às tentativas de invasão de suas terras. No texto, é descrita uma dolorosa e sangrenta passagem na história dos Kaingang: A busca da expansão dos cafezais para o Oeste Paulista fez com que surgisse a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que tinha como percurso São Paulo - Corumbá. Esta resistência, em especial, dizimou a população Kaingang do local. No combate à resistência indígena, os construtores contrataram os chamados bugreiros, um segmento de extermínio indígena.

(tropa bugreira, ano desconhecido, imagem da web)
As tropas bugreiras compunham-se de
Diante do genocídio, instalação da linha férrea e agressões desmedidas, os índios se perceberam impotentes diante dos brancos. Suas tecnologias não os abatiam e nem mesmo os seus deuses tinham poder perante a essa sociedade branca que se instalava. Alguns índios vivos abandonaram a tribo, descrentes, ou se deitaram em redes e simplesmente aguardaram a morte chegar, esta que, por sua vez, não demorava. Morriam de uma doença ‘da alma’, a apatia.
Mas vale ressaltar que este acontecimento reacendeu o debate nacional sobre a "catequese" e "assistência" aos indígenas, que culminou com a criação do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, entregue aos positivistas liderados pelo Tenente-Coronel Cândido Mariano da Silva Rondon, já então um militar de grande prestígio.
Atualmente, existem duas tribos Kaingang

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